sábado, 29 de março de 2014


As mãos...

Sentada em um banco ornado com ouro, no canto de uma bela sala, eu avistava você. Para ser mais preciso, eu observava atentamente suas mãos. Elas eram alvas e muito delicadas. Seus lindos dedos longos tocavam, ora ligeiramente, ora calmamente as teclas do piano, o qual se encontrava no centro da sala. Você não podia me enxergar, mas eu a via. Eu sempre a observei, desde quando você nasceu, quando chorastes pela primeira vez, quando destes os primeiros passos e aprendestes a falar. Sempre estive ao seu lado.  Te protegi quando você precisou, te orientei nos momentos de dúvida. E hoje, sentado aqui neste canto escuro a vejo tocar tão habilmente lindas canções. Estas canções me tranqüilizam, elas são um alento para o meu cansado coração. Oh, frágeis mãos quantas angústias refletem as melodias que tocas, pobre mão, tão delicada e pura. Sei que hás de encontrar sossego para tua aflita alma, assim como encontrei a paz através das canções que tocas!

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