As mãos...
Sentada
em um banco ornado com ouro, no canto de uma bela sala, eu avistava você. Para
ser mais preciso, eu observava atentamente suas mãos. Elas eram alvas e muito
delicadas. Seus lindos dedos longos tocavam, ora ligeiramente, ora calmamente
as teclas do piano, o qual se encontrava no centro da sala. Você não podia me
enxergar, mas eu a via. Eu sempre a observei, desde quando você nasceu, quando
chorastes pela primeira vez, quando destes os primeiros passos e aprendestes a
falar. Sempre estive ao seu lado. Te
protegi quando você precisou, te orientei nos momentos de dúvida. E hoje, sentado
aqui neste canto escuro a vejo tocar tão habilmente lindas canções. Estas
canções me tranqüilizam, elas são um alento para o meu cansado coração. Oh,
frágeis mãos quantas angústias refletem as melodias que tocas, pobre mão, tão
delicada e pura. Sei que hás de encontrar sossego para tua aflita alma, assim
como encontrei a paz através das canções que tocas!
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